Andreza Andrade: “A psicologia é tão imprevisível quanto o curso da vida”

Andreza Andrade: “A psicologia é tão imprevisível quanto o curso da vida”

Conheci a Andreza em um encontro muito especial do ManaZen, projeto que ela desenvolve em conjunto com a Maria Clara, que também irá aparecer aqui no blog.

A Andreza é daquelas meninas que abraçam com as palavras, trazendo luz e calma com cada conselho, com cada troca. Quando a conheci, não tive dúvidas que a convidaria para participar de uma conversa aqui na Bela Consciência.

Formada em psicologia e atuante no segmento da psicologia analítica, ela desenvolve o atendimento clínico, levando em consideração todo o histórico do paciente e também abordando o seu inconsciente nas consultas.

Aqui, ela conta o que a fez se apaixonar pela carreira que escolheu, além de dicas e inspirações, confira!  

Gostaria primeiramente que me contasse como foi escolher essa profissão.

É um clichê, mas eu sempre digo que foi a psicologia que me escolheu. Desde muito nova eu tinha certeza do que eu queria. Muito provavelmente por ter feito terapia quando criança, a admiração pela minha psicóloga e entender o quão importante o processo com foi para meu crescimento, gostaria de proporcionar o mesmo pelos outros.

Quais foram as suas descobertas mais interessantes nesse período?

O curso de psicologia em si é um processo, assim como a maioria das graduações, o excesso de conteúdos torna o caminho complexo, mas eu acredito que o mais importante e por isso eu friso tanto que estudantes de psicologia precisam de terapia, pois estão em constante contato com o sofrimento humano. A psicologia ela vê além dos fatos, trabalha com os símbolos, presta atenção no que é dito e principalmente no que não é dito, e é por isso que eu amo!

O que te inspirou a seguir a psicologia analítica?

A psicologia possui várias abordagens, o que é maravilhoso até porque, na minha visão, nós seres humanos somos múltiplos e seria injusto e superficial se tivesse só uma forma de abordagem.

A psicologia Analítica vai muito de encontro com minha visão de homem, pois me fascina poder trabalhar e estudar os conteúdos inconscientes, sejam eles pessoais ou coletivos.

O inconsciente é algo que não se pode tocar, e se mostra nas minúcias nos sonhos, e mais do que isso: a psicologia analítica acredita no inconsciente como criativo e não o oposto da consciência ele é uma auxiliar, que através dos sonhos e da mitopoese nos ajuda a lidar com questões diárias.

Na sua opinião, qual é a missão de um psicólogo?

A psicologia é tão múltipla e imprevisível quanto o curso da vida. Para mim, a missão do psicólogo é trazer saúde mental e melhoria na qualidade de vida, ou seja, trazer alma, respeitando sempre a individualidade de cada um.

Como você vê a busca do autoconhecimento nos dias atuais?

É nítido que atualmente existe uma onda de pessoas querendo cada dia mais se conectar, essa necessidade de mudança do mundo interno é muito reflexo de que o mundo externo não vai tão bem quanto nós acreditamos. Esse movimento é extremamente importante e maravilhoso, porém, ele não deve ser levado como mais uma cobrança na vida sabe? Tipo a academia (risos).

Além disso, cada um tem seu tempo, seu processo e começar a se respeitar e entender qual sua essência e pelo o que sua alma clama é o primeiro passo para seguir este caminho.

Você poderia nos contar sobre o seu trabalho no projeto “Mana Zen”? Como foi essa iniciativa?

O Mana zen foi idealizado com uma amiga muito querida, e a finalidade do projeto é trazer um espaço de troca, autoconhecimento e construção do feminino. A Maria entra com uma prática de yoga muito maravilhosa, e nós trabalhamos o livro Mulheres que Correm com os lobos, um livro maravilhoso que através de mitos e contos trata da sombra do feminino.

Se você pudesse indicar três livros para a pessoa que está lendo esta entrevista, quais seriam?

Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés, Homem e seus simbolos do Jung e Lua Vermelha, de Miranda Gray.

Se você pudesse dar um conselho para as pessoas que estão neste caminho de desenvolvimento e descoberta da sua essência, qual conselho daria?

Muito tem se falado sobre “trazer as potências“, “elevar” e muitos vendem a imagem de um super herói, porém,  acredito que para a liberdade de ser quem realmente é precisamos dar voz justamente as nossas fraquezas.

A terapia entra nessa temática, sendo extremamente importante para esse processo de autoconhecimento,uma vez que permite que o ego se torne mais “humilde” e traga espaço para o inconsciente falar, e é neste movimento que a alma se mostra. Começar o processo de análise é oportunizar o conhecimento de si mesmo, por meio do manejo da escuta ativa do analista, ou seja, é possível trazer a luz a dor e o desconforto pessoal. O que contribui para o processo de transformação e principalmente da aproximação de quem se é verdadeiramente.

Isabela Vera
contato@abelaconsciencia.com.br

A Bela Consciência é um objetivo traçado com muita imaginação e bel-prazer. Ela se tornou a oportunidade perfeita de unir a minha profissão e um dos assuntos que mais amo: o autoconhecimento.

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